Para que tanto barulho? (por Léia Óla)
Há fases na vida que são complexas, pesadas, sufocadoras. Períodos em que ao acordarmos de manhã, pensamos no dia que nos espera e tudo o que desejamos é não termos que levantar, não termos que tomar decisões. Entretanto, a vida continua, o trabalho está acontecendo e nós temos que entrar em ação.
Durante fases como esta, cada pequeno problema parece uma montanha, cada detalhe nos desgasta de forma impiedosa, cada insatisfação se perpetua em nossa mente.
Por que será que o mesmo problema que parece tão simples quando estamos vivemos uma fase tranqüila em nossas vidas, toma uma proporção enorme quando estamos vivendo momentos conturbados?
A resposta pode até parecer simples: “Porque estamos vivendo momentos conturbados, é óbvio!”.
Só que esta é apenas uma resposta, é apenas um jeito de não ver com clareza “A” resposta. Quando encontramos A resposta, conseguimos evitar o mergulho de cabeça nos momentos conturbados. Ao acreditarmos que é óbvio que momentos conturbados farão com que problemas simples se tornem complexos, estamos nos colocando a mercê das circunstancias.

Um dos fatores que nos levam diretamente a vivenciar fases difíceis é o barulho. Não o barulho exterior, mas o barulho interior. Aquele barulho que nós fazemos por conta do estresse e que só gera mais estresse. O medo, a dúvida, a apreensão e a preocupação nos colocam num estado de tensão que cria o estresse e todos esses fatores geradores de estresse estão exclusivamente em nossas mentes.
Não nos sentimos apreensivos, não ficamos preocupados e não temos medo de algo que já aconteceu, só vivenciamos estas sensações em relação a algo que poderá vir a acontecer. Vejamos alguns exemplos:
- Pode ser que o cliente não aceite minha proposta.
- E se o meu chefe ficar insatisfeito com o meu projeto?
- Talvez eu alguém seja promovido em meu lugar.
- A diretoria está sendo reestruturada, será que eu serei reconhecido ou será que eu serei dispensado?
- Minha equipe não conseguirá terminar o projeto a tempo.
Essas e outras questões são comuns, convivemos com elas o tempo inteiro e muitas vezes não percebemos o tamanho do barulho que elas fazem. Afinal, queremos ser bons naquilo que fazemos, queremos reconhecimento, queremos concretizar nossos projetos, isso é saudável. O que não é saudável é o barulho que fazemos por conta dos nossos objetivos.
Para alcançarmos nossos objetivos não precisamos de barulho, precisamos de foco. Quando focalizamos a nossa atenção nos medos, estamos automaticamente direcionando nossa força de atuação para o lado errado da questão e nossas metas começam a receber uma atenção sem qualidade, desfocada. E, se por algum motivo as coisas não dão certo ainda dizemos: Eu não disse? Bem que eu estava sentindo que algo ia dar errado!
Quando colocamos um foco limpo, uma atenção de qualidade em nossos objetivos, potencializamos nossa energia de ação e nossa percepção de algum possível desvio e das oportunidades que surgem durante o processo.
Portanto, seja no âmbito profissional ou pessoal da sua vida, não se maltrate, não se amedronte. O medo absorve as nossas forças, as nossas qualidades. Não devemos ser cativos de nada, nem do trabalho, nem do cliente, nem da apreensão, nem do medo, de nada. Não há um único benefício sequer que possamos obter da preocupação por algo que ainda não aconteceu.
Estar atentos a possíveis falhas é válido e importante – para isso existe o planejamento e a organização –, mas fazer um enorme barulho por conta disso é colocar todo projeto em risco. É como o agricultor que queima o milharal para evitar que as pragas ataquem o milho.
Ao percebemos que o barulho se inicia, que estamos ficando tensos, que estamos nos amedrontamos, devemos respirar fundo, relaxar e perguntar corajosamente a nós mesmos:
Para que tanto barulho?
* Léia Óla, Palestrante na área de Auto Realização e Potencial e Coach. Escritora, autora do livro Liberdade de Escolha, Poder de Resposta, ed. Scortecci.
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