A culpa dói (por Léia Óla)
O sentimento de culpa causa dor. Há inúmeros casos de pessoas que são diagnosticadas incorretamente e recebem até medicamentos para dores que no fundo são causadas por sentimentos de culpa.
Enquanto a medicina não se conscientizar de que o ser humano é mais do que seu corpo, isso vai continuar a acontecer. É claro que estamos caminhando no rumo certo, temos hoje muitas instituições de respeito que atuam no sentido de pesquisar as causas, as origens de determinados sintomas ao invés de só tratarem os efeitos.
Minha intenção não é questionar a habilidade profissional de ninguém, mas de alertar sobre os recursos disponíveis que temos para nos cuidar e dos quais devemos fazer uso.
Em primeiro lugar é muito importante que nós identifiquemos o nosso sentimento. O que eu estou sentindo? Algumas vezes este processo é complicado porque não estamos acostumados a ele, porque não queremos reconhecer o sentimento (aprendemos desde crianças que alguns sentimentos são feios e nos sentimos pessoas más). No segundo caso, entenda que reconhecer seu sentimento significa não julgá-lo, não criticá-lo apenas reconhecer que ele está presente. Saiba que não escolhemos nossos sentimentos, eles fluem naturalmente e só seremos capazes de lidar com eles, alimentando-os e fortalecendo-os ou entendendo-os e por causa disso não os alimentando, quando formos capazes de admitirmos que eles existem.
Ninguém consegue arrumar a bagunça de uma gaveta se não conseguir enxergá-la. Dentro de nós também funciona assim. Só conseguiremos organizar nossas idéias e nossas vidas se pudermos identificar nossos sentimentos.

Em segundo lugar, ao identificar o sentimento, não se assuste, naõ se envergonhe, não se critique, trate-se com compreensão e amor. Lembre-se que você não é e nunca será o seu sentimento, ele apenas existe para que você aprenda a se conhecer melhor. Atue como observador deste sentimento, analise-o, não dê nome a ele apenas observe-o. De onde ele veio? Porque ele é tão forte?
Perceba que não há motivos para que você se deprecie por um sentimento que julga não ser bom. Então, não julgue o seu sentimento, ele não é bom ou ruim é apenas um sentimento e que deve ser tratado. Este tratamento é algo pessoal e você deve descobrir amelhor forma de fazê-lo.
Por exemplo, se você sente raiva e sabe que não deve descarregá-la nas outras pessoas, mas também não deve reprimí-la, o que fazer para tratá-la? Pessoalmente, eu costumo bater palmas ou dar pulinhos e dizer “sai de mim”, isso me ajuda. Se a raiva for muito intensa eu soco travesseiros e almofadas até sentir que extravasei. Mas acima de tudo eu me trato com amor, porque eu sei que todo mundo sente raiva e a maioria vai se consumindo em seu próprio rancor.
quando eu converso com a minha filha de 11 anos, gosto de comparar a raiva ao “pum”, todo mundo solta “pum” e não se desmerece por isso porque é algo natural do nosso corpo entretanto, ninguém fica soltando “pum” em cima das outras pessoas e também faz mal prender o “pum”. O que fazemos? Entramos no banheiro e soltamos nosso “pum”, pronto tudo resolvido! E não ficamos nos sentindo “malditos” por causa do “pum”
Sim, somos puro sentimento. Temos sentimentos maravilhosos e sentimentos não tão maravilhosos, porém a nossa liberdade está em convivermos pacificamente com cada um, está em nos aceitarmos e nos amarmos como somos. LIBERTE-SE!
E você, como lida com seus sentimentos?
* Léia Óla, Palestrante Motivacional e Coach. Escritora, autora do livro Liberdade de Escolha, Poder de Resposta, ed. Scortecci.
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