Decisões – por Léia Óla

29 de janeiro de 2009 por: Léia



“Quando você precisa tomar uma decisão e não toma,
está tomando a decisão de não fazer nada.”
William James

 

Tomamos decisões e fazemos escolhas o tempo inteiro. Mesmo quando afirmamos que não temos opção já estamos optando por algo. Quantas vezes nos escondemos com esta afirmativa, atribuindo de certa forma a responsabilidade à outras pessoas como se o resultado final desta decisão não nos afetasse diretamente.
A transferência da situação cria a ilusão de um certo grau de satisfação, é como se pudéssemos simplesmente não mudar o quadro que se apresenta para nós. O engano está no tentar transferir o que é inteiramente nosso e num grau de satisfação passageiro porque este logo se transforma na preocupação seguinte.
A lucidez será sempre nossa aliada em questões duvidosas que nos apontam para um adiar sem fim.

Lembro de Leonor, uma amiga muito chegada que tinha dois filhos. Ela me contava como era interessante a forma de pensar das crianças.

-As crianças atribuem a seus pais as responsabilidades por todas as coisas – dizia Leonor – Elas estão com dor de garganta e nos perguntam se podem tomar um sorvete. É como se o fato de darmos permissão para o sorvete transferisse para nós as conseqüências do ato!

Um dos filhos de Leonor era adolescente e certa vez perguntou a ela se poderia não estudar para uma das provas do colégio. Ele queria sair com os amigos e não daria tempo para estudar naquele dia. Leonor desabafou:

-Mas não sou eu quem vou fazer a prova!!!

Muitas vezes, estacionamos nossas vidas num período infantil em que é mais cômodo transferir as responsabilidades. É menos penoso e sempre teremos alguém para culpar! O interessante é não nos questionarmos sobre o fato de estarmos vivenciando de forma direta as conseqüências da responsabilidade que deixamos de assumir.
Passamos pela vida ignorando soluções e caminhos como se não fôssemos parte de um mundo.
A semeadura é opcional, temos o livre-arbítrio de escolher as semente, preparar o solo e fazer o cultivo entretanto, a colheita é obrigatória.
Se possuímos um pomar e temos alguém responsável por cuidar deste pomar então, escolha bem as sementes, porque se disser:

-A responsabilidade do pomar é daquele a quem eu pago por esta atribuição. Ele que escolha a semente e cuide bem do plantio!
Você correrá um grande risco de ao chegar na hora da sobremesa comer jiló ao invés de morangos. Lembre-se: a colheita é sua, logo, a responsabilidade é sua também!

Nem sempre as decisões são simples entretanto, elas são sempre nossas e de mais ninguém. Nós desfrutaremos dos resultados de cada escolha que fizermos.É interessante observar como ser humano tende a entregar-se ao sofrimento como resposta de fuga ao mesmo. Quanto tempo jogado fora nessa busca sem retorno. A reflexão é essencial na trajetória de busca de cada um, envolver-se com as formas de apresentação da vida equivale a um grau mínimo de importância de si mesmo.
Exercer a liberdade de escolha, envolve um processo íntimo de amor na relação que você tem consigo mesmo. O medo inicial transforma-se na gratificação da conquista, do algo realizado.

* Léia Óla, Palestrante Motivacional e Coach. Escritora, autora do livro Liberdade de Escolha, Poder de Resposta, ed. Scortecci.


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