Medo de errar (por Léia Óla)
Em minhas palestras costumo fazer a seguinte demonstração: convido duas pessoas para virem à frente, explico como se faz um exercício que trabalha os dois hemisférios cerebrais (exemplo: mão direita na orelha esquerda e mão esquerda no nariz, depois inverte-se a posição), após a explicação eu peço que os dois coloquem-se de frente para os participante e que apenas um faça o exercício.
Após algum tempo eu dou por encerrado o exercício e dou os parabéns àquele que não fez o exercício. Exalto a sua performance e o fato dele não ter cometido um erro sequer.
Então, passo a explicar que só está exposto ao erro aquele que faz. Eu sei que a informação é obvia mas, sei também que a ignoramos por tempo demais. O medo de errar tem trazido às pessoas prejuízos enormes. Prejuízos materiais e emocionais.
Você já viu o que acontece quando uma criança começa a ensaiar seus primeiros passos? Quantas vezes ela cai? Ela desiste?
“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem
perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar.”
(Willian Shakespeare)
A forma como interpretamos os acontecimentos ao nosso redor faz toda a diferença em nossas escolhas. A percepção da grandeza que envolve o ousar, o correr risco, o sair da tão famosa “zona de conforto” é que faz a diferença entre as pessoas. Esta diferença é que nos fará chegar ou não a determinados patamares evolutivos em nossas vidas.
Muitos passam a vida olhando para os lados, à procura daqueles que alcançaram grandes objetivos na vida, que se destacaram. Buscam nestes indivíduos qual o fator de sorte que os conduziu a tal posição e pensam: Que cara de sorte!
Só que a sorte não existe, o que existe é o encontro do preparo com a oportunidade. Muitos não pensam na determinação, no preparo nem nas inúmeras vezes que o “cara” errou, isto é, estas pessoas limitam sua capacidade de evolução quando atribuem o crescimento alheio à uma questão de sorte.
Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo
do escuro; a real tragédia da vida
é quando os homens têm medo da luz.”
(Platão)
O medo de errar cria limites, restringe nosso campo de visão e consequentemente, nossa área de atuação.
Pare por um momento e faça um balanço de sua vida. Em que momentos você decidiu não decidir por medo de errar? Como poderia ter sido diferente? Quais foram os momentos que você ousou?
Certamente, o fato de você estar refletindo agora o torna uma pessoa que ousa, uma pessoa que busca alternativas, que não se conforma com os acontecimentos e que não se deixa ser conduzido pelas correntezas da vida. Parabéns! Este tipo de atitude faz toda diferença, permite que você determine seu rumo e amplie os horizontes de seus recursos, possibilitando escolhas positivas e que tenham algo a agregar.
Se partirmos da idéia de que todos possuem a mesma capacidade, e de que o nível de acesso a esta capacidade está diretamente ligado aos recursos que temos, então descobriremos que na verdade o que precisamos é ter o domínio de nossos recursos.
Portanto, este é o momento oportuno e que não devemos desperdiçar. Só erra aquele que se dispõe a crescer e a aprender, só aprende aquele que vence o medo de errar. Logo, nossa postura diante das situações irá determinar nosso caminhar e somos os responsáveis por construirmos caminhos melhores e mais seguros em nossas vidas.
* Léia Óla, Palestrante Motivacional e Coach. Escritora, autora do livro Liberdade de Escolha, Poder de Resposta, ed. Scortecci.
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