Nós ou eles?

13 de outubro de 2008 por: Léia



A mídia, para atingir seus objetivos, nos envolve num clima de estímulo à compra. Queremos ser felizes como as pessoas dos comerciais, pessoas completas, saudáveis, jovens, equilibradas etc.
A maioria dos pais sempre presentearam ou puniram seus filhos de acordo com o que eles julgavam certo, o diálogo era difícil e desenvolver a força criadora estava fora de cogitação.

Nossos professores, em sua grande maioria, bloquearam nossas capacidades de criar para que pudéssemos ter maior espaço para guardar o conhecimento e as fórmulas.
Aprendemos ao longo de nossas vidas a depender da aceitação das pessoas que nos cercam para sermos felizes:

– se as pessoas sorriem para nós, nos fazem um carinho ou nos dão um beijo somos amados; – se nosso chefe nos dá parabéns, somos bem-sucedidos;

– se nossos amigos nos convidam para sair, somos aceitos;

– se o parceiro quer sair novamente para uma noite de amor, somos bons amantes.

A lista pode prosseguir com uma infinidade de condições que criamos como padrões de retorno. Podemos utilizá-los como referência para nos sentirmos amados, bem-sucedidos, aceitos, bons amantes e assim por diante.

Você considera que isso seria justo?
Proceder desta maneira significa dar ao “outro” o poder de definir como vou me sentir. É lógico que o retorno do outro pode me sinalizar diversas coisas, mas muitos destes sinais, se forem mal interpretados, me farão sofrer. Se partirmos do princípio que não temos um conhecimento profundo das pessoas com as quais lidamos todos os dias, o que me garante que uma cara feia não pode ser uma dor de barriga ao invés de uma rejeição?

O que poderá me garantir que um amigo não me convidou para sair porque preferia estar sozinho ao invés de não gostar da minha companhia? Qual a garantia que tenho de que meu parceiro me convidou para sair novamente porque não tinha mais ninguém naquela noite ao invés da idéia de que sou um bom amante?

Muito bem, entregar estas determinações de padrão para os outros é um pouco demais, não acha? É conceder ao outro poder e responsabilidade (será que ele quer esta responsabilidade?) em excesso, concorda?
Este fato tem dado origem a intermináveis conflitos emocionais.
Sabe quando uma pessoa chega desabafando e diz: “Nossa! Fulano acabou com meu dia!”
Este é um exemplo clássico da entrega ao outro do que pertence unicamente a nós: “nossas vidas e nossas escolhas”.

Sinta-se bem-sucedido quando conseguir completar uma tarefa, independente de receber ou não um parabéns. Quantas pessoas não conseguem sequer chegar ao final de uma tarefa a que se propuseram. Então comemore, vibre a cada vez que terminar uma tarefa ou uma etapa desta. Você é um vencedor, o resto é conseqüência.
Quem poderia merecer mais do que você? Quem conhece melhor os esforços empregados em cada tarefa, seja esta simples ou complexa? Quem é o espectador mais consciente de suas dores e conflitos? Quem detém o conhecimento do que se passa em seu interior?
Logo, quem seria a pessoa mais indicada para premiá-lo, apreciá-lo?

Posso apostar com você que sua autoconfiança crescerá de tal maneira, que você se sentirá completamente bem-sucedido, confiante e poderoso. Experimente!

Sinta-se aceito e aprovado todas as vezes que você se sentir bem sozinho. Alugue um bom filme, faça pipoca e assista com você mesmo. Você perceberá o quanto sua companhia é prazerosa.
Pule, cante e dance sozinho, tenho certeza de que vai se divertir e, acima de tudo, ame-se. Este é o segredo da auto-aceitação. Não desperdice seus momentos dando aos outros um privilégio que não lhes pertence; antes, invista um pouquinho de tempo em si mesmo.
Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que prometemos, o fio de nossa ação, que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar, fica solto ao nosso lado.
Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente…
Ficamos amarrados às nossas próprias palavras. Por isso, os nativos tem o costume de “por as palavras a andar”, que significa “agir de acordo com o que se fala”. Isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao “caminho da beleza”, onde há harmonia e prosperidade naturais.



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